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É assim que te quero, amor, assim, amor,
é que eu gosto de ti, tal como te vestes e
como arranjas os cabelos e como a tua boca
sorri, ágil como a água da fonte sobre as
pedras puras, é assim que te quero,
amada,
Ao pão não peço que me ensine, mas antes
que não me falte em cada dia que passa. Da
luz nada sei, nem donde vem nem para onde
vai, apenas quero que a luz alumie, e também
não peço à noite explicações, espero-a e
envolve-me, e assim tu pão e luz e sombra
és.
Chegastes à minha vida com o que
trazias, feita de luz e pão e sombra, eu te
esperava, e é assim que preciso de ti, assim
que te amo, e os que amanhã quiserem ouvir o
que não lhes direi, que o leiam aqui e
retrocedam hoje porque é cedo para tais
argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas uma folha da
árvore do nosso amor, uma folha que há de cair
sobre a terra como se a tivessem produzido os
nossos lábios, como um beijo caído das
nossas alturas invencíveis para mostrar o fogo
e a ternura de um amor verdadeiro.
Pablo Neruda
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